O que acontece quando somos levados ao limite?
É relativamente fácil manter a calma quando tudo está sob controlo.
Mas o que acontece quando o cansaço aumenta, a pressão entra em cena e somos obrigados a tomar decisões sem o conforto de ter tempo para pensar?
Foi precisamente essa a provocação da primeira edição do NO LIMIAR.
Um evento criado para colocar os participantes perante desafios físicos e mentais e levá-los a descobrir, na prática, como respondem quando as condições deixam de ser confortáveis.
Porque conhecer os nossos limites não significa apenas perceber até onde conseguimos chegar fisicamente. Significa perceber como pensamos, decidimos, comunicamos e nos adaptamos quando somos verdadeiramente desafiados.
A pressão muda a forma como respondemos
Quando aumenta a exigência, o nosso corpo e a nossa mente entram num estado diferente.
A frequência cardíaca sobe. O cansaço começa a pesar. A atenção pode diminuir. Tomar decisões simples pode tornar-se mais difícil.
E é precisamente nestes momentos que determinadas capacidades se tornam ainda mais importantes:
· Manter o foco;
· Gerir a frustração
· Adaptar uma estratégia quando aquilo que estávamos a fazer deixa de resultar;
· Comunicar com clareza;
· Continuar a tomar decisões quando já estamos cansados.
São competências que encontramos no desporto, mas também no trabalho e na vida quotidiana.
Soft skills não se desenvolvem apenas numa sala
Muito se fala atualmente em soft skills: liderança, comunicação, capacidade de adaptação, resolução de problemas, inteligência emocional ou trabalho em equipa.
Mas existe uma diferença entre compreender estas competências e conseguir aplicá-las quando estamos sob pressão.
É nesse ponto que a experiência ganha importância.
Quando somos colocados perante uma situação desafiante, deixamos de responder ao que achamos que faríamos e começamos a perceber como realmente reagimos.
É mais difícil manter a comunicação quando estamos cansados?
Conseguimos alterar rapidamente uma estratégia?
Como reagimos perante o erro?
O que acontece quando dependemos de outras pessoas para continuar?
É nestes momentos que surgem aprendizagens difíceis de reproduzir apenas através da teoria.
O limite também é informação
Chegar ao limite é frequentemente interpretado como chegar ao ponto em que já não conseguimos continuar.
Mas o limite pode ser muito mais do que isso.
Pode mostrar-nos onde perdemos concentração e revelar como lidamos com a incerteza. Pode mostrar-nos que desistimos demasiado cedo - ou, pelo contrário, que insistimos numa estratégia quando já devíamos ter mudado. Pode até revelar capacidades que desconhecíamos.
Por isso, testar os nossos limites não tem necessariamente de significar, ultrapassá-los a qualquer custo.
Significa conhecê-los melhor.
Perceber o que acontece connosco quando a exigência aumenta e utilizar essa informação para responder melhor da próxima vez.
Corpo e mente não funcionam separadamente
Uma das ideias centrais do NO LIMIAR é precisamente esta relação.
Mente. Corpo. Resposta.
O corpo influencia a nossa capacidade de pensar. A mente influencia a forma como enfrentamos o esforço. E aquilo que fazemos resulta constantemente da interação entre os dois.
Quando o corpo começa a demonstrar sinais de fadiga, a capacidade de concentração pode diminuir.
Quando a mente começa a antecipar que não vai conseguir, a perceção de esforço pode aumentar.
E quando aprendemos a reconhecer estas respostas, começamos também a compreender melhor a forma como funcionamos perante situações exigentes.
O desafio termina. A aprendizagem continua.
A primeira edição do NO LIMIAR chegou ao fim, mas aquilo que aconteceu durante o evento não termina no último desafio.
Cada participante sai com respostas diferentes.
Para alguns, o maior desafio pode ter sido físico. Para outros, manter o foco, confiar na equipa, gerir a frustração ou simplesmente continuar quando a primeira vontade era parar.
E talvez seja precisamente essa a maior aprendizagem do NO LIMIAR:
não existe uma única forma de chegar ao limite.
Existe a forma como cada pessoa reage quando lá chega.